Oficina “Corpo e Território: Uma representação sobre racismo ambiental”

Oficina “Corpo e Território: Uma representação sobre racismo ambiental”



A oficina, de 3 horas de duração, ocorreu no formato de encontros dinâmicos e expositivos sobre a temática do Racismo Ambiental e suas ramificações na Natureza, Corpo e Território, visando trabalhar o conceito mais atrelado às práticas cotidianas e reconhecimento das estruturas sociais.
A oficina aconteceu dia 24/06 em dois horários: de 9h às 12h e de 13h às 16h

Mediadora: Pammella Casimiro.

Será que as plantas e os animais sofrem racismo? É sobre dar mais recursos como água, luz e alimento para algumas plantinhas/animais do que para outros? Afinal, o que é o Racismo Ambiental?

Ao contrário do que muitos pensam, ou esquecem, o meio ambiente vai além do que entendemos por fauna e flora, mas envolve nossos corpos, as composições físico-químicas, interações do ser humano com o meio natural e com o meio social, nossas construções, invenções e modificações do meio. Tendo isso em mente, já podemos começar a pensar que o Racismo que opera sobre o nosso Ambiente envolve temáticas de Território, Natureza, Corpo e Questões Políticas.

E infelizmente essa discussão não é de hoje, em 1987, a Comissão de Justiça Racial da United Church of Christ, realizou uma pesquisa nacional na qual foi evidenciado a correlação entre depósitos de resíduos perigosos e comunidades negras e pobres. A partir dessa pesquisa, o Reverendo Benjamin Chaves cunhou a expressão que conhecemos como Racismo Ambiental para designar “a imposição desproporcional, intencional ou não, de rejeitos perigosos a comunidades de cor”.

Avançando um pouco no tempo, em 2004 o frequentemente descrito como o pai da justiça ambiental, Robert Bullard em seu livro “Enfrentando o racismo ambiental no século XXI” caracterizou o Racismo Ambiental como “as políticas públicas, ambientais, práticas ou diretivas que afetam de modo diferente ou prejudicam, de modo intencional ou não, indivíduos, grupos ou comunidades de cor ou raça. Sendo reforçado pelo governo, assim como pelas instituições legais econômicas, políticas e militares”.

Pensando desse jeito fica mais fácil identificar as ações do Racismo Ambiental no nosso cotidiano e nas decisões governamentais. Como exemplo temos o descaso com as áreas verdes do nosso bairro, baixo saneamento básico, a presença de empreendimentos e construções que diminuem a qualidade de vida do local, infraestrutura precária na saúde, educação e lazer.

Felizmente o assunto vem ganhando cada vez mais espaço dentro do ambiente acadêmico e aos poucos chegando aos endereços que mais importam, os corpos-territórios não-brancos e periféricos. Para isso temos pessoas incríveis como as pesquisadoras brasileiras Selene Herculano e Tania Pacheco, além dos movimentos sociais e ONGs que trabalham para o enfrentamento do Racismo Ambiental mesmo sem nomear ou conceituar. Levantando dados estatísticos, levando informação para a população e pressionando as autoridades locais em busca de mudanças.

Por fim, gostaria de convidar todas as pessoas que chegaram até aqui a se verem como parte fundamental do ambiente que ocupam. Que este corpo-território não-branco assim como o meio que vivem, possam disfrutar do direito à vida, assim como ampara o Art. 225. da Constituição Federal onde diz que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Neste contexto, foi realizado, junto à equipe de Educação do Sesc Madureira, uma Oficina sobre Racismo Ambiental com turmas do Ensino Médio do Colégio Estadual José Acioli de Formação de Professores, em Marechal Hermes. A atividade ocorreu no dia 24/06 e foi pautada em encontros dinâmicos e expositivos sobre a temática do Racismo Ambiental e suas ramificações na Natureza, Corpo e Território, visando trabalhar o conceito mais atrelado às práticas cotidianas e reconhecimento das estruturas sociais.

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