“Racismo Recreativo: O que é, como identificá-lo? e suas abordagens em esportes coletivos”

“Racismo Recreativo: O que é, como identificá-lo? e suas abordagens em esportes coletivos" 1

A programação, de 3 horas de duração, teve como objetivo discutir o racismo estruturalmente camuflado nas relações cotidianas, como no humor, em esportes e brincadeiras, trazendo estratégias de reconhecimento e abordagens de resolução de conflitos.
A oficina aconteceu dia 21/06 em dois horários: de 9h às 12h e de 13h às 16h

Mediadora: Camila Reis Tomaz.

O Racismo é parte mantenedora de uma estrutura que começa na colonização do país. O que a história hegemônica, aquela contada por quem tem poder e quer mantê-lo conta, é que o país foi descoberto, o que já sabemos não ser verdade.

O país, habitado por indígenas, o povo originário deste território, foi invadido, saqueado (o desmatamento também começa e é  “justificado” na e pela colonização, como também já sabemos hoje em dia) e transformado espacial e culturalmente. Os idiomas falados no que hoje é chamado Brasil não se aproximavam do latim, língua base do Português que falamos hoje em dia. As festas, os cultos, as danças, os ciclos de plantio e os habitantes eram outros.

Com a colonização, o idioma do colonizador veio acompanhado de suas práticas e espacializações. Isto é, a forma como a língua que falamos se expressa no espaço que vivemos. Práticas como a escravidão, comum aos europeus, trouxe as pessoas pretas que sobreviveram às invasões, assassinatos e saques à África para trabalharem em troca de continuidade de sobrevivência. Já ritos originários foram substituídos por cristianismos, também construções da língua portuguesa e por ela mantidos. As leis, o sistema educacional e tudo que vem de ambos seguiram o mesmo caminho.

Assim, séculos depois, a linguagem pela qual nos expressamos oralmente, por mais que modernizada e contextualizada a novos espaços construídos com o tempo e haja a resistência de pretos e indígenas sobreviventes, ainda se pauta no Português do colonizador, reproduzindo ainda hoje a cultura da época colonial e suas práticas. O Racismo então segue parte dessa estrutura colonial e sua manutenção é necessária àquelas e àqueles que desejam manter indígenas e pessoas pretas como colonizados, isto é, eternamente subalternizados.

Adilson José Moreira, advogado, refletindo violências sofridas na infância em jogos, brincadeiras e práticas brincantes na rua e em quadras de colégios, escreveu em 2019 o livro “Racismo Recreativo”. A obra apresenta e discute a presença do racismo na construção do humor através do uso subconsciente ou não da linguagem em seu formato de manutenção do colonialismo.

Em 2021, um participante do reality show mundialmente conhecido, o Big Brother Brasil, com ampla audiência nacional, foi expulso por cometer injúria racial. Ao ser questionado quanto à fala motivadora de denúncia, este, como muitos outros antes e depois dele, informou ser “uma brincadeira”. Essas supostas brincadeiras em que a linguagem opera para subalternizar um perante outro, e este um é uma pessoa branca e este outro uma pessoa não branca, são muito comuns no humor construído nos países em que a colonialidade é um traço identitário daquelas e daqueles que tem mais dinheiro, conhecimento, bens e, logo, poder.

Adilson nos convida então, a partir de casos diferentes do mencionado acima, onde muitos réus foram absolvidos do crime de racismo pelo argumento da “brincadeira”, a pensar nossa linguagem e a forma como nos expressamos ainda hoje em dia e com que intenção usamos nossas palavras. Racismo Recreativo é um conceito, criado por Adilson para convidar à compreensão imprescindível e urgente à uma sociedade que busca deixar seu período colonial no passado: não é humor se agride, deprime, diminui, subalterniza alguém. É Racismo.

Neste contexto, realizamos, junto à equipe de Educação do Sesc Madureira, uma Oficina sobre Racismo Recreativo com turmas do Ensino Médio do Colégio Estadual José Acioli de Formação de Professores, em Marechal Hermes. A atividade ocorreu no dia 21/06 e teve como objetivo discutir o racismo estruturalmente camuflado nas relações cotidianas, como no humor, esportes e brincadeira, trazendo estratégias de reconhecimento e abordagens de resolução de conflitos.

 

 

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