“Sesc+ Infância: as linguagens do brincar” 1

Conectando Infâncias

No Sesc+ Infância os projetos coletivos são pautados nos interesses e questionamentos dos grupos. Durante uma roda de conversa, em Fevereiro de 2020, abordamos a importância de valorizarmos a nossa história, as nossas tradições. Refletimos também, sobre as aprendizagens que envolvem pesquisar sobre a cultura de outras localidades. Surgiu assim, um movimento.

 

Começamos com uma conversa virtual com o professor francês Charles Trompette. Ele se apresentou, as crianças fizeram perguntas para ele sobre a França e contaram como funciona o Sesc+ Infância. Foi uma conversa rápida, mas importante, sendo o “pontapé” inicial do Projeto Conectando Infâncias.

 

Quando pensamos em conectar, objetivamos fortalecer ações sem muros, comunicações entre crianças, famílias e profissionais da Educação de dentro e de fora do Brasil. Dialogar, ressignificar e autoria são os fundamentos dessa interlocução de saberes. Diversidade, respeito, protagonismo e representatividade são os aspectos transversais dessas vivências tão significativas. Destacamos ainda que, falar sobre as infâncias significa brincar, falar dos vínculos estabelecidos pelo brincar, de autonomia, de escuta, de inteireza, de curiosidade e de experimentação.

 

Nossa visão de infância, de aprendizagem é fundamentada na Sociologia da Infância, em autores como Paulo Freire, Vygotsky, Borba, que enfatizam “a noção de infância como uma construção social”. Nessa perspectiva, Borba (2005) afirma que “se faz urgente revelar as crianças como atores sociais, sujeitos participantes na condução de suas vidas e na construção da sociedade em que se inserem”. Desta forma, buscamos romper com óticas reducionistas, biologizantes e desenvolvimentistas, que condicionam as aprendizagens à faixa etária e ao universo escolar, que adotam a ideia de crianças como seres incompletos e não produtivos.

 

Freire (1987) critica e reflete que “em lugar de comunicar-se, o educador faz comunicados e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacificamente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção bancária da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los (…) não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem do mundo, com o mundo e com os outros”.

 

Por isso, as propostas e atividades que são desenvolvidas têm por referência as crianças como cidadãs hoje, no aqui e agora, reconhecemos as mesmas como sujeitos históricos, que participam e opinam.  As oportunidades de aprendizagem consideram o potencial e não somente a idade. A pluralidade cultural, as construções coletivas e o diálogo permanente com as famílias e com a comunidade são primordiais e uma meta constante na nossa práxis pedagógica.

 

Em Março de 2020, fomos surpreendidos com a complexidade e a adversidade de uma pandemia que atingiu/atinge a vida da população mundial. A pandemia da COVID-19 resultou em uma série de desafios, de novas demandas sociais. Passamos por transformações, adaptações, que afetaram/afetam as relações existentes e o processo educacional como um todo.

 

Como manter o vínculo com as crianças em meio ao distanciamento? Como continuar a parceria e a comunicação com as famílias? Como prosseguir com as atividades, mantendo os pressupostos pedagógicos através de uma educação remota? Vimos no Projeto Conectando Infâncias as respostas para essas problemáticas!

 

Continuamos com os encontros virtuais com o professor Charles (encontros entre ele e a equipe e encontros dele com as crianças). Os grupos se organizavam, listavam perguntas sobre o que gostariam de trocar com ele. Essa prática tem por objetivo o envolvimento de diferentes segmentos sociais dada a urgência e importância em agregar conhecimento, pesquisa, informação de relevância no que diz respeito ao desenvolvimento integral das crianças e o cumprimento das leis que asseguram os seus direitos no país e no mundo.

 

Neste particular, valorizamos as culturas da infância, reconhecendo que as crianças transformam e são transformadas pelo contexto histórico e social do qual fazem parte. Silva (2011) ressalta que “a criança é protagonista ativa do seu próprio crescimento: é ela dotada de extraordinária capacidade de aprendizagem e de mudança, de múltiplos recursos afetivos, relacionais, sensoriais, intelectuais, que se explicitam numa troca incessante com o contexto cultural e social”.

 

Vale destacar que, os papéis sociais estão ligados aos grupos sociais dos quais fazemos parte, por isso variam conforme os contextos. Entretanto, alguns deles carregam características semelhantes dentro de diversas realidades. Isso acontece, por exemplo, quando pensamos nas crianças. Há um sentido amplo, assumido por grande parte do mundo, ligado a faixa etária, mas há também particularidades que variam de acordo com cada povo, a partir da sociedade em que a criança está inserida.

 

Ao longo de nossas ações, objetivamos refletir sobre as semelhanças e diferenças, conversando sobre o que é ser criança, sobre como a infância é vivida e encarada em cada localidade participante. As diferenças nos mostram que existem muitas maneiras de viver, de se relacionar. As semelhanças nos aproximam, mostram que, apesar das diferenças, todas as crianças fazem parte de um mesmo grupo. Por meio dessa discussão, possibilita-se uma maior compreensão sobre identidade, representatividade.

 

Portanto, é primordial fomentar a colaboração entre crianças e entre as crianças e adultos para consolidar propostas pautadas nas suas necessidades e desejos. Sendo assim, fomos criando uma rede pelas infâncias com: crianças, famílias, comunidade, escolas, professores…. Todos aqueles que queiram dialogar!

 

Assim, a palavra CONEXÃO invadiu as nossas vidas. Chegou pelo fio das redes trazendo para mais perto, os olhares, as dúvidas, os medos, as histórias. Começamos a conversa entre nós, mas queremos ganhar o mundo, conectando as infâncias por meio de experiências brincantes tão crucias nas relações estabelecidas no nosso cotidiano.

 

Em seguida, nos conectamos por meio de desenhos, com a temática “Isso me representa!”. Reunimos desenhos de crianças com diferentes idades: do Sesc Nova Iguaçu (Rio de Janeiro), do Sesc Duque de Caxias (Rio de Janeiro), de Belém (Pará), de Tigre (Argentina), de Cordova (Espanha) e de Maputo (Moçambique). Os desenhos retrataram os jogos favoritos, os contos de fadas que permeiam as infâncias e retratos do cotidiano de cada localidade.

 

Vale destacar que, esse contato com Moçambique aconteceu por intermédio do professor Messias Uaissone. “O conectando infâncias trará a noção de quanto o mundo é grande para as crianças e com isso, elas ampliarão os horizontes. Ajudará muitas crianças e suas famílias a adquirirem uma visão global, sair de suas fronteiras e expandir-se!” (transcrição da fala de Messias Uaissone). Messias nos apresentou a professora de Artes moçambicana Débora Tovela.

 

Em 2021, iniciamos as vídeo chamadas dela com as crianças do Sesc+ Infância de Nova Iguaçu e de Duque de Caxias. Partilhamos os aspectos culturais e históricos do Brasil e de Moçambique através de contação de histórias, oficinas, brincadeiras e músicas. Conversamos sobre os pontos em comum entre os países, Débora nos contou sobre a sua história, sua comunidade e os idiomas falados em seu país. Débora também realizou uma contação de história sobre os tecidos africanos e suas simbologias. Além disso, ela realizou uma oficina de porta-lápis. Já realizamos três encontros com ela e a cada troca, aprendemos mais!

 

A última vídeo chamada foi realizada no dia 04 de Setembro de 2021, na qual conversamos sobre técnicas de desenho e pintura. Débora é artista plástica e compartilhou conosco as suas obras e ferramentas.

 

Pretendemos continuar essa parceria e realizar mais pontes com outros países, pois por meio do Conectando infâncias, a Educação do Sesc RJ veem construindo uma teia de saberes e trocas. Os fios representam as infâncias, as culturas de lugares de dentro e de fora do Brasil. Esses fios estão se comunicando e fortalecendo com isso, o protagonismo e a autoria infantil. Esse diálogo se baseia em experiências brincantes, que proporcionam inúmeras teias, aprendizagens.

 

Contudo, acreditamos que é uma grande oportunidade para a amplificação de vozes para além do período de pandemia. Esperamos que essas escutas constituam narrativas de grande relevância, repletas de encontros, concordâncias e discordâncias, de vida! Que seja um lugar de fala, caracterizado pela autoria, por presenças e por muitas histórias!

 

 

Crédito de imagem: Karolina Grabowska / Pexels

 

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